1 – Como o tabagismo pode interferir na fertilidade do casal?
2 – Um paciente que se submeteu a um tratamento de câncer ainda pode ter filhos?
3 – Quais são os principais fatores comportamentais que comprometem a fertilidade do casal?
4 – A endometriose provoca alterações no ciclo menstrual, estas alterações podem causar a infertilidade feminina?
5 – Até quando é possível adiar a maternidade?
6 – Quem é mais responsável pelos problemas de fertilidade do casal: o homem ou a mulher?
7 – Quais são os principais motivos que impedem uma mulher de ter filhos?
8 – Como deve ser feita a avaliação da fertilidade nas mulheres mais velhas?
9 – Por que o aconselhamento genético é importante para as mulheres mais velhas que decidem engravidar?
10 – Exercícios demais interferem na capacidade reprodutiva?
11 – Uma mulher com menopausa precoce tem chances de engravidar?
12 – A idade da mulher é um fator determinante nos casos de abortos de repetição?
13 – Como a endometriose é tratada?
14 – A endometriose afetará minhas chances de engravidar?
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1- Como o tabagismo pode interferir na fertilidade do casal?
O tabagismo pode acarretar uma redução na fertilidade feminina, podendo até contribuir para uma maior dificuldade na obtenção da primeira gestação. O atraso na concepção reflete-se numa gama de possíveis efeitos adversos na reprodução, como interferência na gametogênese (produção de óvulos) ou na fertilização, dificuldade de implantação do óvulo concebido ou perda subclínica após implantação (abortamentos não detectados). Estudos e pesquisas dos últimos anos apontam que o tabagismo materno afeta de forma mais significativa a fertilidade do casal do que o tabagismo paterno, o que significa que o sistema reprodutivo feminino é mais vulnerável ao tabagismo que o sistema masculino. Já a fertilidade masculina é prejudicada pelo tabagismo, na medida em que ocorre um decréscimo nas taxas de gravidez e uma alteração nos parâmetros seminais (espermograma) de pacientes tabagistas. O tabagismo masculino está associado à redução na qualidade do sêmen, incluindo concentração de espermatozóides, motilidade, morfologia e efeito potencial na função espermática, além das alterações nos níveis hormonais.
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2- Um paciente que se submeteu a um tratamento de câncer ainda pode ter filhos?
Os avanços nos tratamentos contra o câncer, envolvendo cirurgias, radioterapia e quimioterapia poderão acarretar a esterilização de pacientes masculinos ou femininos, dependendo do tipo de protocolo necessário. Porém, o desenvolvimento de modernas tecnologias está permitindo a preservação da fertilidade destes casais: a criopreservação de sêmen, os estudos preliminares de enxerto testicular, o transplante de células germinativas, o congelamento de óvulos, embriões e tecido ovariano. É importante que os oncologistas e os especialistas em Reprodução Humana conheçam e informem a estes pacientes sobre as opções disponíveis para a preservação da fertilidade.
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3- Quais são os principais fatores comportamentais que comprometem a fertilidade do casal?
Em relação aos fatores comportamentais que podem comprometer permanentemente a fertilidade, alguns requerem atenção especial como o tabagismo. Hoje, 30% das mulheres e 35% dos homens em idade em idade reprodutiva fumam, o que pode influenciar negativamente nas chances de sucesso de uma gravidez. A prática sexual sem o uso de preservativos também é apontada como um dos fatores que pode levar à infertilidade, devido às doenças sexualmente transmissíveis que podem acarretar em obstrução das trompas. A obesidade e o sobrepeso também contribuem para uma baixa na taxa de fertilidade do brasileiro, pois provocam alterações e distúrbios nos processos de ovulação e uma diminuição do número de espermatozóides. Dietas e a prática de exercícios exagerados também provocam a redução na produção de espermatozóides e podem causar também uma ausência de ovulação na mulher. O uso de anabolizantes também prejudica o funcionamento dos testículos, resultando em uma produção de espermatozóides com baixa capacidade de fecundação.
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4- A endometriose provoca alterações no ciclo menstrual, estas alterações podem causar a infertilidade feminina?
A relação entre a endometriose e a infertilidade feminina pode ser avaliada por sua incidência de 20 a 50% nos casais com dificuldade de engravidar. . Nas pacientes em estágio avançado da doença e obstrução na tuba uterina que impeça o óvulo de chegar ao espermatozóide encontramos um fator anatômico que justifica a infertilidade. Porém, algumas questões hormonais e imunológicas podem ser a causa da infertilidade naquelas mulheres com quadros mais leves de endometriose e que não conseguem engravidar. Após o tratamento, geralmente efetuado através da realização de uma videolaparoscopia, uma boa parcela das pacientes consegue engravidar, principalmente as mulheres em que as tubas não tiverem sofrido obstrução. É por isso que no final da laparoscopia, costuma-se injetar contraste pelo canal do colo uterino para ver se ele sai pelas tubas. A caracterização dessa permeabilidade tubária é um ponto a favor de uma gravidez que depende, entretanto, de outros fatores como a função ovariana ou a não formação de aderências depois da cirurgia, por exemplo.
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5- Até quando é possível adiar a maternidade?
O adiamento da gravidez é uma escolha muito comum das mulheres, nos dias de hoje. O número de grávidas ou mulheres tentando engravidar na faixa entre 30 e 40 anos tem aumentado nos últimos anos. Pelo menos 20% das mulheres aguardam até os 35 anos para iniciar uma nova família. São muitos os fatores envolvidos na decisão de adiar a maternidade: a estabilidade profissional, a espera por um relacionamento estável, o desejo de atingir segurança financeira, ou, ainda, a incerteza sobre o desejo de ser mãe. Entretanto, é importante alertar estas mulheres sobre as conseqüências desta decisão: a idade pode afetar sua capacidade de conceber. É também importante informá-las sobre os tratamentos disponíveis que podem ajudá-las a engravidar, quando elas decidirem que o melhor momento chegou. A queda na fertilidade com o avanço da idade é um fato biológico. Estima-se que a chance de gravidez por mês é de aproximadamente 20% nas mulheres abaixo de 30 anos, mas de apenas 5% nas mulheres acima dos 40. Mesmo com os tratamentos para infertilidade, como a fertilização in vitro, a fertilidade diminui e as chances de um aborto espontâneo aumentam após os 40 anos. Há várias explicações para esse declínio de fertilidade: condições médicas, mudanças na função ovariana e alterações na liberação dos óvulos pelos ovários, alterações genéticas dos óvulos.
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6- Quem é mais responsável pelos problemas de fertilidade do casal: o homem ou a mulher?
Não há um responsável pelo problema de fertilidade do casal. Ninguém é mais responsável que o outro pelas dificuldades de gerar filhos. Em cerca de 40% das vezes, a dificuldade provém do homem. Em outros 40%, da mulher, e, nos 20% restantes, os dois possuem problemas que dificultam a gravidez. Para os casais com fertilidade normal, a chance de gravidez por ciclo ovulatório gira em torno de 20%. Portanto, não é surpresa o fato de que podem ser necessários vários meses até que o casal consiga alcançar a desejada concepção. Sabe-se que ao final do primeiro ano de relacionamento sexual ativo, sem uso de qualquer método anticoncepcional, 85% dos casais terão conseguido a gravidez. Os 15% restantes, ou seja, 1 em cada 6 casais, não a conseguirão atingir seu objetivo e deverão procurar ajuda médica.
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7- Quais são os principais motivos que impedem uma mulher de ter filhos?
As alterações nas trompas (tubas uterinas) e no útero representam aproximadamente 30% dos casos. As doenças sexualmente transmissíveis, a endometriose, as aderências causadas por cirurgias e as malformações no útero e nas trompas são as principais causas destas alterações.
Outra causa comum de infertilidade feminina, responsável por aproximadamente 20% dos casos, é o distúrbio ovulatório. Mulheres que não ovulam com regularidade, geralmente possuem ciclos menstruais irregulares ou até mesmo ausência de menstruação. Algumas possuem excesso de hormônio masculino, apresentando oleosidade na pele, acne e excesso de pêlos, sinais estes que são indicativos da Síndrome dos Ovários Policísticos, onde os ovários ficam repletos de folículos imaturos e não ocorre a ovulação. Algumas mulheres possuem excesso de prolactina (hiperprolactinemia) que pode ser causado pelo uso de determinados medicamentos, estresse e, mais raramente, pela presença de tumores na hipófise. A hiperprolactinemia pode acarretar distúrbios ovulatórios e conseqüente infertilidade. Existem ainda causas mais raras que alteram o funcionamento dos ovários, como a menopausa precoce (insuficiência ovariana prematura) que pode ter caráter genético.
As alterações na qualidade do sêmen (fator masculino) também é muito comum, podendo ser observada em 30 a 40% dos casais inférteis.
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8- Como deve ser feita a avaliação da fertilidade nas mulheres mais velhas?
Se uma mulher que já passou dos 35 anos decide engravidar é importante que ela procure o aconselhamento de seu médico. Se o médico identificar qualquer problema que possa afetar suas chances de engravidar ou se ela estiver tentando conceber por mais de 6 a 12 meses, ela pode procurar um especialista em infertilidade. As chances de gravidez diminuem com a idade, desta forma, é normalmente recomendado que todos os exames necessários sejam prontamente realizados. A maioria dos exames de infertilidade pode ser feita em 1 a 3 meses e o tratamento apropriado deve ser iniciado imediatamente após a avaliação.
É fundamental a solicitação de exame de sangue para verificar os níveis de FSH e estradiol no início do ciclo menstrual.. Os níveis desses hormônios podem sugerir se os ovários estão se tornando menos sensíveis aos hormônios (FSH e LH) que induzem a ovulação. Embora as taxas de gravidez sejam menores em todas as mulheres acima de 40 anos, mulheres com altos níveis de FSH no início do ciclo menstrual, independente da idade, também têm uma chance menor de engravidar. Estar ciente destas informações poderá ajudar estas mulheres a decidir se o tratamento de infertilidade vale a pena, ou para decidir o tipo de tratamento mais adequado para ela em particular.
Atualmente, os programas de fertilização in vitro dispõem de alguns recursos para aumentar as chances de gravidez das mulheres com mais idade. Estes recursos compreendem técnicas de laboratório, que são utilizadas para melhorar as chances de implantação dos pré-embriões, antes que estes sejam transferidos para o útero.
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9- Por que o aconselhamento genético é importante para as mulheres mais velhas que decidem engravidar?
Pelo fato das crianças nascidas de mulheres acima de 40 terem um risco maior de problemas cromossômicos, essas mulheres podem desejar falar com seu médico ou procurar aconselhamento genético antes de tentar a gravidez. Eles fornecerão informações quanto às chances de ter uma criança com problema cromossômico, como a Síndrome de Down, e as opções de exames pré-natais se a gravidez for atingida. A biópsia de vilo coriônico e a amniocentese são dois métodos de exames pré-natais. Mais recentemente, tem sido possível detectar certas doenças antes da transferência dos pré-embriões, quando se realizam técnicas de fertilização in vitro. Esta técnica moderna chama-se Diagnóstico Genético Pré-implantacional (PGD). Do ponto de vista histórico, o PGD pode ser visto como uma extensão do diagnóstico pré-natal e só foi possível efetuar após os recentes avanços no campo da fertilização in vitro. Se o pré-embrião apresentar algum defeito genético, não será transferido para o útero, transferindo-se apenas aqueles saudáveis.
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10- Exercícios demais interferem na capacidade reprodutiva?
É consenso no meio médico que a prática de exercícios físicos e uma dieta equilibrada são fundamentais à manutenção do peso e, como decorrência, de condições mais saudáveis de vida. Mas os excessos são condenáveis: no homem, pode causar problemas relacionados à diminuição da produção de espermatozóides e, na mulher, pode afetar seriamente a ovulação. Uma carga normal de exercícios não afeta a fertilidade dos casais. Já para os que se excedem, a endorfina liberada nesses casos inibe a hipófise, que controla as glândulas de secreção endócrina do organismo, comprometendo a ovulação e a espermatogênese.
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11- Uma mulher com menopausa precoce tem chances de engravidar?
A mulher portadora de menopausa prematura não será mais capaz de conceber com seus próprios óvulos, pois os ovários não mais respondem aos estímulos hormonais e, conseqüentemente, perderão a capacidade de ovular. As chances desta mulher chegam a até 60% quando é realizada a implantação de óvulos de uma outra mulher no seu útero (ovodoação), após estes óvulos serem fertilizados em laboratório, com emprego das técnicas de Fertilização In Vitro (FIV). Antes da implantação, são produzidos ciclos menstruais artificiais na receptora, através da administração de estrogênio e de progesterona, com a finalidade de preparar o endométrio e aumentar as chances de uma gestação bem-sucedida.
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12- A idade da mulher é um fator determinante nos casos de abortos de repetição?
O aborto de repetição é a situação na qual um casal experimenta três ou mais perdas gestacionais. Na espécie humana, o abortamento espontâneo é relativamente freqüente. 10% das gestações terminam em abortamento. Destes abortamentos, 85% tem uma causa genética, isto é, uma alteração cromossômica que inviabiliza a vida. Por esta razão, a ocorrência de um ou dois abortos é aceitável como natural. Mas com a recidiva de três ou mais abortos, alguma outra razão deve estar interrompendo a gravidez e deverá ser avaliada e tratada. Se a mulher tem mais de 35 anos, dois abortos em seqüência já podem indicar um problema. Os abortos são mais freqüentes entre as mulheres acima dos 35 anos de idade. É também nessa faixa etária que aumenta a possibilidade de malformações e anomalias fetais que levam ao abortamento espontâneo.
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13- Como a endometriose é tratada?
A escolha do tratamento deve levar em consideração seus sintomas e queixas, avaliando o que se esperava obter com este tratamento. Os principais objetivos do tratamento da paciente com endometriose são melhorar a qualidade de vida, por meio do alivio dos sintomas, e melhorar sua fertilidade, caso o casal ainda deseje ter filhos.
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14- A endometriose afetará minhas chances de engravidar?
A endometriose é freqüentemente encontrada em mulheres que não tenham obtido sucesso em engravidar. A presença da endometriose não significa que você seja infértil. Mesmo na presença de pequena quantidade de endometriose, e quando aparentemente ao outros órgãos estão normais , parece haver problemas no transporte e na fertilização dos óvulos liberados pelo ovário. Em casos mais graves, pode ocorrer o comprometimento das tubas uterinas, podem até mesmo ficar bloqueadas.
Ter endometriose não significa que você não pode engravidar. Na realidade, em alguns casos, a gravidez pode aliviar os sintomas da doença. É importante conversar com o médico a respeito do seu desejo de engravidar.
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